O sapo que comeu as estrelas

O sapo que comeu as estrelas

Eu tava deitado num verde gramado
na noite estrelada olhando pro céu

Pensando na vida nas linhas da lida
no tempo e no giro deste carrossel
e vi que uma estrela desaparecera
e outra em seguida sumira também

seria um eclipse, um apocalipse
centúrias inscritas no templo de zeus
Apurei a vista onde o céu confeitado
ficou negro e vago um breu no carvão

E fiquei intrigado com o céu apagado
quando eu vi um sapo engolindo plutão
Batráquio faminto era feio e retinto
Engoliu a lua com o enorme bocão

Depois foi saindo sumindo no escuro
saciado de astro e arrotou um clarão
Que coisa esquisita como é que isso fica
Sem lua e sem brilho na imensidão

Que será dos poetas, astronautas, profetas
Dos guardas-noturnos e arcanos pagãos
Por conta de um sapo estranho no espaço
Com fome de estrelas ligeiro e glutão

Foi quando acordei com o sol na minha cara
Raiado e brilhando lambendo um vulcão
Então deduzi que ele comera o sapo
Ele é o rei do pedaço é o astro maior

Com o sol não se brinca ele manda na vida
Ele pune, ele vinga, ele é o melhor ator
E Deus pede a ele que zele da gente
que esquente e reflita tudo quanto é cor

E cuide da noite enquanto a terra
Rodopia e dança em volta de si
E no fim da tarde, se foi sem alarde
E cuspiu as estrelas de volta pro céu

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